quarta-feira, 20 de junho de 2007

Críticas, vaidades e verdades...

Cada dia eu me convenço mais que ninguém gosta de ser criticado. Alunos não gostam das críticas dos professores, que não gostam de ser criticados pelos alunos. Quando os pesquisadores mandam seus trabalhos para publicação, também não gostam das críticas dos revisores das revistas especializadas.

A ciência só funciona porque é constantemente criticada. Cada idéia, cada projeto, cada resultado, cada conclusão deveria ser duramente criticada, em todos os estágios até que o trabalho fique pronto. É isso que garante a credibilidade de um trabalho, já que à luz das críticas ao longo do processo os eventuais erros são sanados, de forma que não comprometam as conclusões e discussões.

A educação deveria tomar o mesmo rumo. As críticas deveriam fazer o processo fluir melhor, de modo que o canal de comunicação entre professores e alunos ficasse mais aberto, o que ajudaria a melhorar nosso produto: pessoas cada vez melhores no que fazem.

O problema é que somos todos seres humanos, e como tal, temos nossas vaidades, nossas suscetibilidades. Esta semana ouvi vários casos de críticas que infelizmente foram mal recebidas, em parte porque foram mal feitas e em parte por causa das vaidades e suscetibilidades dos criticados. É preciso lembrar que pesquisadores e professores são pessoas mais vaidosas que a média da população. Veja bem: ganham menos do que gostariam e, salvo em raríssimos casos, não alcançam fama. Com isso, só trabalha nisso quem gosta, e em geral essas pessoas cultivam pequenas vaidades: de ser um bom pesquisador (que aflora quando um trabalho é aceito em uma boa revista) ou um bom professor (que aparece quando os alunos fazem boas perguntas ou se mostram interessados no que se ensina).

Bom, tudo isso foi para dizer que há duas coisas importantes nessa história toda: a primeira é nunca perder uma boa oportunidade de ficar calado (não quero dizer com isso que as críticas não devam existir, só quero salientar que críticas devem ser bem elaboradas e pensadas, para que não se tornem destrutivas, e portanto inúteis) e a segunda é aprender a ouvir críticas, lembrando que quem falou teve uma motivação, mas pode não ter refletido o suficiente, e que, no fundo, alguma coisa tenha que ser de fato mudada. Há, tem uma terceira coisa: se a crítica não se aplica, o melhor é não sofrer com ela, afinal sempre existe a possibilidade de ter sido feita num momento de insanidade.

3 comentários:

Kelem Errahoui disse...

criticar...

Tem gente que gosta de inflar o ego com críticas...

Tem gente que acredita que está só fazendo o bem...

E tem gente que acha que vale mais uma crítica que um elogio... será?

Tem gente pra tudo :)

Gostei do Blog :)
Beijinhos,
Kelem Errahoui :P

Étori Aguiar disse...

Sempre pensei (e continuo pensando) que criticar fosse uma das coisas mais produtivas que um homem pudesse fazer para outro. Quem pensa não deve ter vergonha de revelar sua opinião, pois tem interesse de mudar algo pra melhor com ela. Isso, é claro, não significa que o criticado esteja no caminho errado, talvez ele esteja apenas sobre um caminho diferente. Mas aceitar passivamente determinadas condições é sinônimo de estupidez.

"Posso não concordar com nenhuma palavra do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las".
Voltaire

Karla Yotoko disse...

Concordo inteiramente com você, só ressalto que há maneiras e maneiras de se fazer a mesma crítica...